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  • Esdras Santos

Edifício Copan

Atualizado: 26 de mai. de 2022


Em 16 de março de 1952 os jornais paulistanos publicaram um comunicado da COPAN (Companhia Pan-América-Hotéis e Turismo) informando o lançamento do conjunto arquitetônico com edifícios destinados a apartamentos residenciais, cinema, teatro, lojas para comércio, garagens etc. Abrigaria aproximadamente 5 mil pessoas em 1.160 unidades residenciais divididas em 6 blocos denominados por letras. O bloco A abrigaria 64 apartamentos de 90m2 com 2 dormitórios. O bloco B, 448 unidades compactas de 32m2 e mais 192 unidades de 48m2. O bloco C abrigaria 64 apartamentos de 130m2 com 3 dormitórios. O bloco D, 64 unidades de 180m2. E finalmente os blocos E e F com 64 unidades maiores de 3 e 4 dormitórios por pavimento que depois foram rearranjadas em 328 unidades variando em tamanho e quantidade por pavimento.

O projeto, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer com a colaboração do arquiteto Carlos Alberto Cerqueira Lemos, propôs um corpo curvilíneo e contínuo semelhante a uma letra S projetada sobre o terreno, resultado da acomodação do empreendimento aos limites do lote e aos desdobramentos dos ajustes solicitados pela regulação municipal. A proposta destacava-se pelo ineditismo da composição da sua grande massa construída e obviamente pelo volume de negócios gerados. Consta nos históricos da data de lançamento do empreendimento um sucesso absoluto de público e crítica, com filas extensas de possíveis compradores curiosos em obter mais informações sobre as unidades e suas condições de pagamento.

A implantação do conjunto explorou a generosa iluminação natural da fachada noroeste, voltada para a face frontal da Avenida Ipiranga, seguiu os limites do lote com recuos mínimos até o alcance das duas empenas laterais, a parte posterior voltada para a Rua da Consolação preservou uma maior transparência em busca de conforto para o convívio com a ventilação sudeste. A utilização de uma malha horizontal de quebra-sóis de concreto na fachada frontal atribuía à edificação um aspecto utilitário e único, esses elementos eram interrompidos em 2 pavimentos distintos talvez com o objetivo de realçar a horizontalidade da composição dissolvendo o volume vertical construído.

A edificação toca o solo utilizando uma sequência regular de colunas de grande altura, são encabeçadas por uma laje estrutural de transição responsável por redistribuir uma infinidade de pilares e instalações oriundas dos 32 pavimentos superiores, esse expressivo elemento estrutural foi utilizado com grande habilidade pelo arquiteto que estabeleceu bordas em estreitamento progressivo preservando as alturas das vigas do núcleo central, conseguiu dessa maneira atenuar o peso da composição e ainda acomodar sob sua projeção o programa das várias lojas de planta livre destinadas a ocupar a base da edificação.

As plantas baixas dos pavimentos tipo seguiam um fluxo de acesso particular. Era intenção inicial do projeto, por exemplo, atribuir função de espaço público ao terraço elevado sobre as lojas, seu acesso seria feito através de uma rampa escultural. Provavelmente por conta da intensa agenda de compromissos do arquiteto com a recém-iniciada elaboração das edificações de Brasília, o desenvolvimento do desenho desse elemento foi ignorado criando dificuldades para a sua execução. Durante a obra os calculistas responsáveis alegavam inviabilidade da proposta da maneira como estava definida sugerindo sua substituição por uma escada. Deve ter sido difícil a assimilação desse fato pelo autor do projeto, sua predileção era evidente e até compreensível, a escada estática - por melhor elaborada que fosse - não conseguiria obter o efeito de continuidade, conexão e escala próprios de uma rampa com aspirações públicas. Outra peculiaridade do projeto foi a segmentação das circulações de acesso aos elevadores do bloco B, devido ao grande número de moradias optou-se por concentrar em uma torre única, acessível por rampas, as demandas de tráfego de dois pavimentos consecutivos reduzindo dessa forma pela metade o número de paradas.

O início das obras ocorreu no final do ano de 1952, a sondagem do terreno indicava a presença de solo de consistência mediana em grande profundidade, optou-se pelo uso de fundações pneumáticas apoiadas em terreno compactado por cravamento de estacas, para cada m2 sob a projeção do edifício foi utilizada uma estaca de concreto pré-moldado de 10m de comprimento e de secção 20x20cm. Essa fundação inicial teria seu encabeçamento a uma profundidade de 5m, o intervalo restante seria executado com o auxílio de tubulões de ar-comprimido de maneira a evitar interferências de águas subterrâneas.

Esse modelo estrutural foi responsável por grandes preocupações durante as obras, produziram movimentações estruturais indesejadas que só foram solucionadas após a utilização de macacos hidráulicos para a correção dos desníveis gerados. A instabilidade econômica do país foi outra fonte de preocupações constantes, gerou incontáveis distratos por inadimplência motivando inclusive a modificação do projeto arquitetônico das torres E e F, sendo adaptadas a uma nova distribuição de áreas, substituindo unidades maiores de andar único por apartamentos compactos no formato de quitinetes de venda mais atraente.

O Edifício Copan repousa no centro paulistano, reunindo sobre seu teto uma ampla variedade de classes sociais, estima-se que circulem diariamente em seus corredores e galerias cerca de 20 mil pessoas. A administração do condomínio conta com um corpo de 104 funcionários e um orçamento anual aproximado de 6 milhões de reais. São números equivalentes a um pequeno bairro, ilustram com clareza a capacidade empreendedora de uma gente e a vocação monumental de um lugar.


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