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  • Esdras Santos

Termas de Vals


Construído em 1996 no povoado de Vals, leste da suíça, no vale alpino de Graubünden, foi o resultado de um concurso de arquitetura para a construção de um centro comunitário de hidroterapia que reativaria o setor de hotelaria local, rico em atrativos de paisagens e fontes termais. Teve como vencedor o projeto do arquiteto Peter Zumthor que propôs uma edificação semi-enterrada em concreto armado com lajes de teto recobertas por grama.

Temos como referencial histórico para esse tipo de edificação as termas romanas. Muito populares àquele tempo, eram divididas geralmente em área de banhos quentes, mornos e frios. Tinham originalmente utilidade para a saúde pública, estimulavam a higiene e o cuidado corporal. No projeto proposto, essas áreas de banhos tradicionais permaneceram, porém devidamente readequadas ao tempo e ao contexto. Foram acrescentados atrativos oriundos de novas tecnologias, ambientes com propostas sensoriais diversas atuando nos cinco sentidos do corpo humano: visão, audição, tato, olfato e paladar.

No projeto de Zumthor a hierarquia dos espaços estabelece zonas distintas: transição, internas, externas e serviços. A transição delimita as áreas de chegada e preparação dos visitantes, estão em um nível elevado possibilitando uma visão geral dos ambientes da edificação. As áreas internas e externas compõem os ambientes termais e as de serviços restringem-se aos ambientes técnicos e de manutenção dos equipamentos.

O acesso às Termas de Vals é feito a partir do hotel localizado na parte superior da encosta, através de um túnel chega-se aos ambientes de transição localizados na base da planta baixa, estão ordenados em sequência: um banheiro individual, uma sala de maquiagem e uma sala de duchas e banheiros públicos ao final do corredor; a conexão entre esses ambientes é feita através de uma circulação contendo 5 fontes de água potável que indicam a entrada dos vestiários.

A ligação entre os ambientes de banho e a transição acontece através de uma plataforma escalonada que oferece ao visitante uma visão geral do conjunto. Embaixo, as áreas de banho concentram-se ao redor das duas piscinas principais, uma menor interna e outra maior externa. A piscina interna conta ainda com um arranjo de ambientes secundários delimitando suas arestas e fluindo em direção aos espaços externos, dentro desses ambientes estão localizadas áreas de massagem, repouso, duchas, banhos frios e quentes.

O edifício é marcante pela sua simplicidade geométrica, caracterizado mais pela presença de vazios do que propriamente elaborações de formas arrojadas, ao contrário, sua composição exterior é discreta e procura imiscuir-se à paisagem, a revelação da edificação restringe-se à presença dos painéis de vedação e das varandas externas.

A forma interna resultante da casca exterior propicia uma sinfonia de formas, luzes e sons. As lajes de teto deixam passar frestas de luz natural que somadas às alternâncias entre paredes e grandes painéis de vidro compõem um arranjo elegante de elementos. E por fim a presença da água, revigorante, sonora, suave, protagonista absoluta.

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